Descritivo Histórico


Situada num vale que beija de um lado os pés da Serra da Nave e do outro os da Serra da Lapa e incrustada nas fraldas das" terras do demo ", assim baptizadas por Aquilino Ribeiro, Rua ou Vila da Rua, é uma aldeia beirã de nobres e antiquíssimas tradições, que deixa correr as suas águas para o Távora que lhe fica perto.

Trata-se de uma freguesia pertencente ao concelho e comarca de Moimenta da Beira, que se encontra à distância de 6 Km. Quem desta Vila se dirige para a Guarda, através da estrada nacional N° 226, pisará o solo de Vila da Rua ao quilómetro 52. Esta estrada, que substituiu a antiga via romana, que de Lamego conduzia a Trancoso e Almeida, corta precisamente ao meio a sede de freguesia que é constituída por mais quatro povoações: Prados de Baixo e de Cima, Vide e Granja de Oleiros, além do bairro de São Silvestre de recente construção.

Rua é o topónimo atribuído mais recentemente à antiga Caria de Jusã(Caria de Baixo), situada naturalmente ao lado de Caria de Susã (Caria de Cima), que ainda hoje mantém no nome primitivo de Caria. Estas duas Carias, sendo embora anteriores à formação da nacionalidade, terão nascido das cinzas de uma outra Caria -Caria a Velha -a que Viterbo faz referência.
Sabe-se que o concelho de Caria existia já no século XIII, porque é citado nas Inquirições de D. Dinis, de 1258. Na primeira metade do século XIX, Caria e Rua constituem um só concelho que foi extinto em 1855, ficando estas freguesias a pertencer a Sernancelhe até 1896, data em que foram anexadas a Moimenta da Beira, dando a este concelho os limites geográficos que hoje possui.

Como provas inequívocas de antiga sede municipal, existem ainda, na Vila da Rua, a cadeia e os paços do concelho, hoje propriedade particular, e, ainda, o artístico, antigo e imponente pelourinho. Alto, com um lindo pináculo gótico e um avantajado fuste que se levanta do centro de uma escadaria poligonal, está merecidamente incluído no número dos monumentos nacionais. Mas, para além destes valores patrimoniais, há nesta terra outros locais dignos de recordação e de visita.

A igreja paroquial de evidente origem românica, foi completamente remodelada no século XVI. A capela-mor tem abóbada em caixotões com pinturas. O altar e.a tribuna são de boa talha renascentista. O corpo da igreja é constituído por três naves divididas por seis colunas cilíndricas. O orago é S. Pelágio. Além da igreja paroquial, tem esta freguesia várias capelas: a de S. Silvestre e S. António, na Vila da Rua; a de S. Domingos, nos Prados de Cima; a de N S. do Loreto, nos Prados de Baixo; a do Espírito Santo, em Vide; a da Santíssima Trindade, hoje dedicada a N S. de Fátima, na Granja dos Oleiros; duas de N S. da Conceição, sendo uma na Quinta do Ribeiro e outra na Quinta da Boavista.

Na Quinta do Ribeiro, hoje IFEC(Instituto de Formação e Educação Cooperativa) -Fundação Rodrigues Silveira -foi criada a Escola Profissional Tecnológica e Agrária de Moimenta da Beira, que é frequentada por alunos oriundos, não só da região, mas também de outros recantos do país. Nesta bela Quinta, que dispõe de óptimas condições a rentabilizar no âmbito do turismo, existem ainda as ruínas de um antigo convento de S. Francisco que deveria merecer a atenção das entidades responsáveis pela conservação do património.


2 comentários:

luis augusto disse...

oi mateus
tens aqui um trabalho excelente
parabens pela tua dedicação a nossa terra.
abraço

Zé Carias disse...

Mateus. Da Serra da Lapa até à Serra de Montemuro, existe sim a SERRA DE LEOMIL e não serra da nave. Erros todos cometemos! mas é possível retificar.

Um abraço.